2010/05/05

TEMA: A verdade sobre o aquele aluno novo da escola.

(i.n.s.i.r.a.o.t.í.t.u.l.o.)

“Você é um vampiro”.

A frase fora dita com convicção. Ele se virou, pestanejando.

“Como?”

“Vampiro”, ela repetiu. “Você aparece do nada, tenta se afastar das pessoas...”

“Não sou muito bom nisso”, ele retorquiu, e, quando seus olhares se encontraram, ela corou. Isso era verdade, porque eles haviam passado a maior parte das últimas semanas juntos. “E talvez você seja apenas distraída, e nunca me veja chegando”.

O rubor no rosto dela aumentou. Ela sempre o procurava em meio à multidão - como podia não notá-lo? Desde o primeiro dia, ele se destacara entre os alunos novos: alto, cabelos negros, olhos azuis como o céu. E uma tendência a ser reservado e quieto, o que só aumentava a curiosidade em torno de sua figura.

Exceto quando estava com ela; começara com um trabalho em dupla e, de repente, a apresentação já fora feita e, ainda assim, eles passavam as tardes conversando na varanda da casa dela.

“Eu ando no sol”, ele acrescentou, parecendo se divertir agora.

“Hoje em dia, todos os vampiros têm anéis mágicos ou brilham ou...”

“Não tenho alergia a alho, não me transformo em morcego e...”, ele retirou de dentro da blusa um pequeno crucifixo que usava. “Também não me importo com cruz”. E, então, em uma voz muito mais suave, acrescentou: “Era da minha mãe. Ela morreu pouco antes de eu me mudar para cá”.

Ela piscou.

“Foi por isso que você saiu da capital?”

Ele desviou o olhar.

“Eu e meu pai precisávamos sair do lugar que nos trazia lembranças demais dela. Nós queríamos um recomeço, e encontramos aqui”.

Ele suspirou e um silêncio se abateu sobre eles. Depois de alguns instantes, ele voltou a fitá-la, a testa franzida.

“Você estava falando sério sobre achar que eu era um vampiro?”, perguntou; ela mordeu os lábios e, vermelha, acenou. “Então só andou comigo nos últimos dias porque achou que eu era uma criatura mitológica? Pensou que teria uma aventura igual a dos livros? Ou quis ser transformada em uma criatura da noite?”

O choque se agitou dentro dela.

“Claro que não”, murmurou, ainda mais convicta. “Se fosse você um, eu iria lhe dizer que não me importo. Eu... Me importo com você”.

“Mesmo tendo perdido toda a graça? Você descobriu agora o meu segredo: sou uma pessoa igual a todo mundo”.

“Não para mim”, ela sussurrou. “Você me faz feliz à tarde, é minha razão para ir à escola e... Está nos meus sonhos à noite. Então, de certa fora, você é uma criatura mística para mim”.

Ele se aproximou.

“Mas não um vampiro”, murmurou, erguendo a mão e colocando uma mecha do cabelo ruivo dela atrás da orelha. “E até posso provar”.

Segurou a mão dela e a levou até seu próprio peito. Naquele instante, nada mais importava – ela só podia sentir o batimento do coração dele.

“Vampiros estão mortos. E meu coração bate bem rápido e vivo quando estou com você”.

Ela sorriu.

“O meu também”, sussurrou e pousou seus lábios sobre os dele.


Vou confessar que foi irresistível zombar do tema ;)

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